Dr. Adam Litwin: de falso médico a graduado em medicina

Pinar Istek / The Times

Condenado e preso por se passar por médico, depois de 20 Adam Litwin se formou em medicina.

No final da década de 1990, o norte americano Adam Litwin foi acusado de se passar por médico em um programa de residência na Califórnia, Estados Unidos. Em 2000, ele foi preso. Dois meses de prisão e seis meses de aconselhamento psiquiátrico.

Atualmente com 47 anos, Litwin finalizou a graduação em medicina em uma escola no Caribe e passou nos testes necessários para se tornar um médico nos EUA.

Em entrevista para o jornal Los Angeles Times, ele relatou como se tornou um falso residente na UCLA.

Sonho de Infância

De acordo com Adam, o sonho de ser médico o acompanhou desde a infância. Na escola já era lembrado pelos amigos por conversas sempre relacionadas a possíveis diagnósticos ou medicamentos.

Depois do ensino médio, ele cursou um programa de pré-medicina na Universidade de St. Louis, em que os alunos já tinham a oportunidade de interagir com pacientes. Porém, segundo relatos de Litwin, uma depressão o impediu de ingressar numa Faculdade de Medicina e ele abandonou os estudos.

No ano de 1998, seu interesse pelo assunto o levou até a biblioteca da Universidade da Califórnia, Los Angeles. Adam passava horas do seu dia na biblioteca médica estudando os livros didáticos.

Falso residente

Em algum momento desse tempo em que passou estudando na biblioteca da UCLA, alguém acabou o confundindo com um dos residentes do hospital da Universidade.

Com 26 anos na época, Litwin não corrigiu. Ele embarcou na história, afirmou ter sido transferido há pouco tempo e fazer parte do programa de residência em cirurgia. Por meses ele viveu essa realidade e enganou até mesmo os médicos professores da instituição.

Além de acompanhar cirurgias complicadas, ele tinha toda a rotina de um residente por cerca de seis a nove meses. Almoçava no refeitório, usava o estacionamento reservado para os médicos, fazia rondas matutinas checando pacientes e até mesmo dormia nos quartos reservados para plantonistas.

Litwin afirma que, mesmo tendo passado tempo considerável no hospital, nunca chegou a tocar em nenhum paciente.
O detalhe que começou a chamar atenção para a farsa foi um jaleco utilizado por Adam. Ao invés do tradicional jaleco branco liso, ele possuía um que havia ganhado em uma conferência, em que além de carregar seu nome, também estampava uma foto de seu rosto.

Esse detalhe, somado a outras inconsistências levantaram suspeitas e, em junho de 1999, o falso residente foi retirado da sala dos médicos por seguranças. Depois de encontrar bisturis, pedidos de remédio e raios-x, a Polícia prendeu Litwin.

Ele se declarou culpado dos seguintes crimes: forjar receita médica, se passar por médico e roubar propriedade do Estado.

Dificuldades na carreira

Agora graduado em medicina, Adam Litwin ainda enfrenta dificuldades na carreira. O conselho de medicina do Missouri negou seu pedido de licença no ano passado, dizendo que não acreditava que ele pudesse ter passado tanto tempo fingindo ser residente na UCLA e não ter tratado pacientes. Litwin está apelando da decisão.

Além disso, ele ainda não foi aceito em nenhum programa de residência. Segundo estatísticas, graduados fora dos EUA encontram menos chances de serem aprovados em residências quando comparados a graduados em universidades do país.

Ele espera ingressar na residência de psiquiatria no ano de 2020. Se Litwin ingressar em um programa de psiquiatria no ano que vem, ele terá pelo menos 52 anos quando puder começar a praticar medicina por conta própria e finalmente realizar o sonho de uma vida.

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