Receber informação clínica não é apenas um direito do paciente, é também uma ferramenta terapêutica. Esforços precisam ser feitos em todas as áreas da medicina para que os pacientes compreendam melhor sua condição clínica. Quando o paciente entende sua condição e o processo de adoecimento, ele se torna mais engajado no autocuidado, adere melhor ao tratamento e, consequentemente, melhores resultados podem ser alcançados.

O radiologista também deve se empenhar em fornecer informações claras sobre o exame realizado e as conclusões do laudo. Colocar o paciente no centro do cuidado significa identificar suas dores, seus anseios e traduzir o conhecimento técnico em algo que faça sentido para ele.

O distanciamento histórico

Tradicionalmente, os laudos radiológicos são técnicos e de difícil compreensão para o público leigo. A tecnologia revolucionou o diagnóstico por imagem, ampliou a resolução, a precisão e a capacidade de detectar alterações cada vez menores. No entanto, ao longo desse avanço, houve um distanciamento entre o paciente e o médico radiologista.

Paradoxalmente, é a própria tecnologia que agora possibilita uma reaproximação.

Nos últimos anos, os pacientes passaram a acessar diretamente seus laudos e imagens, algo inédito na história da radiologia. Essa mudança exige uma nova postura do radiologista e dos sistemas de tecnologia: não basta produzir um relatório técnico impecável, é necessário torná-lo compreensível.

Soluções têm sido desenvolvidas para melhorar essa experiência, como explicações de termos técnicos, diagramas ilustrativos e relatórios com linguagem mais acessível. Há uma percepção crescente de que um laudo centrado no paciente agrega valor ao trabalho do radiologista, aumenta sua visibilidade e contribui para melhores desfechos em saúde (KEMP et al., 2022).

O papel da comunicação

De acordo com o guideline da European Society of Radiology (ESR), o fornecimento de um relatório preciso e adequado requer boa comunicação entre o médico solicitante, o serviço de radiologia e o radiologista. Tradicionalmente, essa comunicação se dá por meio de um relatório escrito, eventualmente acompanhado de imagens-chave.

No entanto, a possibilidade de emitir um laudo em vídeo, o chamado laudo audiovisual, amplia significativamente a capacidade de compreensão do médico solicitante e do paciente. Em vez de apenas imaginar o que está descrito no texto e procurar entre múltiplas imagens complicadas, o profissional pode visualizar exatamente o que está sendo explicado, com direcionamento claro e contextualização anatômica.

Um caso real: quando o audiovisual fez a diferença

Utilizei o PACS da Medcloud para emitir um laudo audiovisual a pedido de uma paciente que realizou o exame na região Norte do país e encontrava-se no Sul no momento da investigação complementar.

Tratava-se de uma ressonância magnética das mamas. Identifiquei uma pequena lesão, medindo 0,5 cm, com características suspeitas e indicação de biópsia. No vídeo, destaquei a localização precisa da imagem, suas características e a correlação necessária para investigação ultrassonográfica dirigida.

O laudo audiovisual foi utilizado como guia para que a lesão fosse localizada na ultrassonografia e direcionasse corretamente o procedimento. Posteriormente, recebi as imagens da biópsia e confirmei a correlação com o achado descrito.

Era uma lesão pequena, posterior e de difícil identificação. Sem essa análise conjunta e orientada, a investigação poderia ter sido imprecisa ou até inconclusiva.

Depois de tantos anos de avanço tecnológico na radiologia, finalmente conseguimos enxergar valor na ponta do cuidado.

Qualidade em radiologia não é apenas produzir imagens de alta resolução. É garantir que essas imagens se traduzam em decisões clínicas assertivas e em melhores desfechos para o paciente.

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