A radiologia cresceu por décadas avaliando quase sempre o mesmo indicador: volume de
exames. Quantos exames fazemos? Quantos laudos entregamos? Quantos aparelhos temos?
Esse modelo funcionou enquanto os diferentes métodos ainda estavam começando a surgir,
mas a realidade mudou.
A radiologia geral evoluiu para ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância
magnética e procedimentos minimamente invasivos. Concomitante a isso, observamos um
envelhecimento da população no Brasil e, portanto, uma maior necessidade de assistência à
saúde. Possuímos um arsenal grande de métodos diagnósticos, que não deveriam significar
apenas mais exames. Deveriam significar melhor acompanhamento, decisões mais assertivas e
melhores desfechos, com impacto positivo para a saúde dos pacientes ao longo do tempo. A
radiologia está no centro disso e, mesmo assim, comporta-se como se cada exame fosse um
evento isolado.
As imagens contam uma história no tempo. Mostram progressão, estabilidade ou resposta.
Ainda assim, o sistema insiste em tratá-la como um produto unitário: realizou, laudou, faturou.
O paciente volta quando tem outro sintoma. O ciclo se repete, sem memória. Hoje fui olhar os
exames anteriores de um paciente: eram cento e quarenta e oito exames! Fica impossível para
o radiologista buscar um exame relevante nessa “pilha” e comparar os achados. A não ser que
ele tenha algum suporte tecnológico disponível, como por exemplo, a Chronolens, uma
ferramenta de IA disponível na Medcloud. Ela resume em poucos segundos os exames
anteriores do paciente e facilita, em muito, a vida do radiologista.
A maior dificuldade da radiologia hoje é a estratégia. Enquanto discutimos inteligência
artificial, novos equipamentos e produtividade, pouco se fala na radiologia integrada na
assistência, através de um cuidado contínuo. Pouco falamos sobre organizar a linha de cuidado
do paciente, junto com o prescritor, traduzindo risco, apoiando decisões menos invasivas,
reduzindo exames desnecessários e melhorando a comunicação ao longo da jornada.
O envelhecimento da população ajudou a mudar o jogo. Doenças crônicas, vigilâncias
prolongadas, achados incidentais e decisões compartilhadas exigem muito mais do que
imagens bem feitas. Exigem contexto, comunicação e visão de longo prazo.
A radiologia tem escala e recorrência ao longo da vida. As pessoas passam por exames em
diferentes fases, por diferentes motivos. Normalmente não há a construção de uma relação do
médico radiologista com o prescritor ou do médico radiologista com o paciente. Há uma
oportunidade enorme de construir a continuidade do cuidado e entregar mais valor ao
paciente.
A Medcloud para mim é o Ecossistema de Saúde Digital mais completo e visionário da
atualidade, pois inclui em suas soluções as nossas dores. A comparação com os exames
anteriores é uma dor para o radiologista. Eventualmente pode ser muito penoso encontrar o
exame anterior e esta solução nos trouxe de volta o brilho no olhar e tornou a comparação
mais simples. Você também precisa viver essa experiência!
O cuidado é humano. O diagnóstico também. A burocracia, não. Vamos nos concentrar no que
é mais importante, nosso paciente.

