Dezembro Vermelho: Youtuber fala sobre tecnologia na prevenção do HIV

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No mês do Dezembro Vermelho, o Youtuber e consultor do Ministério da Saúde, João Geraldo Netto conta como usa a tecnologia para falar sobre o HIV.

No dia 1º de Dezembro é comemorado o Dia Mundial da Luta Contra a Aids. A data que é celebrada no Brasil desde 1988 foi instituída pela Organização Mundial de Saúde. E, desde 2017, o país faz parte do Dezembro Vermelho.

O movimento deve acontecer todo ano durante o mês de dezembro e tem por objetivo de intensificar a mobilização de campanhas de prevenção do HIV, aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Além disso, ainda aborda medidas de assistência, proteção e promoção dos direitos humanos de pessoas que vivem com o HIV.

Durante o mês, instituições de todo o país se mobilizam para instruir sobre os modos de prevenir, tratar e entender as ISTs, além e dar acesso a testes para a população.

Tecnologia aliada à prevenção
João Geraldo Netto é um Youtuber de Brasília que vive com HIV há 16 anos. Dono do canal Super Indetectável, ele é consultor para o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids, e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Focado na prevenção da aids pelo tratamento do HIV, o Super Indetectável trata de temas ligados à vida de pessoas que vivem com o vírus e sobre a própria vida de João Geraldo.

Segundo o Youtuber, a maioria das pessoas só busca por conteúdos relacionados ao HIV quando já estão na iminência do contato com o vírus. Seja por suspeita, contato ou porque estão no aguardo do resultado de exames.

Por isso destaca a importância de existir um mês dedicado a falar sobre o assunto. “Quando temos um mês como o Dezembro Vermelho, instituído por lei, o HIV entra em pauta na mídia. Então a informação deixa de ser por demanda e chega à pessoas que não estão no mundo da aids, ela atinge toda a população”.

Para Netto, a tecnologia na área da informação tem papel fundamental no debate contra a estigmatização do HIV. A praticidade de ter acesso a conhecimentos diversos na palma da mão faz toda a diferença.

“Esse momento da tecnologia trouxe uma abertura maior para que as pessoas possam dialogar com autores da informação. Quando as pessoas chegam no meu canal elas podem me fazer perguntas específicas e eu as respondo de acordo com o que elas querem saber. Então a qualidade dessa informação fica muito mais direcionada.”

Além disso, ele também salienta o quanto a tecnologia pode ajudar os grupos de ajuda mútua, que são parte importante no tratamento do vírus ou até mesmo da síndrome. De acordo com o youtuber, muitas pessoas acabavam desistindo dos grupos presenciais por conta da falta de flexibilidade nos horários. Agora, elas podem trocar experiências, conversar e marcar encontros através de grupos de WhatsApp.

Estigma
Falar sobre ISTs ainda é estigmatizado. Para João Geraldo isso acontece porque essas infecções são ligadas ao sexo, assim como outros temas como sexualidade e questões de gênero, que acabam sendo consideradas tabus.

“Eu acredito que a gente ainda tenha uma longa caminhada pela frente até que isso ainda seja quebrado. Eu trato o assunto de uma maneira séria. Não gosto de ser muito divertido porque o assunto que eu abordo não é divertido. Apesar de eu viver bem hoje com o HIV e poder falar disso abertamente na Internet, sei que não quer dizer que seja assim para outras pessoas.”

Ele defende que esse assunto seja abordado de forma mais clara e honesta. “Se você rebuscar, você não vai passar informação para quem está em busca dela. Se não falarmos de maneira clara e honesta, as pessoas não vão entender e vão desistir do conteúdo”, afirma.

Entenda
A aids, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, é uma doença causada pelo vírus do HIV. Ela ainda não tem cura ou vacina disponível e pode levar a morte se não tratada.

É importante reforçar que viver com o HIV e viver com a aids são coisas diferentes. Nem todas as pessoas que vivem com o vírus chegam a desenvolver a síndrome. É aí que entra a importância do tratamento.

O Brasil tem um dos maiores sistemas de distribuição do tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de baixa e média renda, segundo dados do Ministério da Saúde. A distribuição dos medicamentos no país é gratuita e realizada pelo Sistema Público de Saúde após avaliação médica.

Pessoas que vivem com o HIV e realizam o tratamento de forma correta podem ter a quantidade do vírus reduzida significativamente, chegando ao ponto de ficar indetectável em testes laboratoriais padrão. Além disso, o tratamento é importante para que a pessoa recupere sua qualidade de vida.

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